s... querida
irmã...
Quando o ouro fundiu parcialmente e começou a correr,
Drogo estendeu o braço para as chamas, agarrou o caldeirão.
- Coroa! - rugiu. - Toma. Uma coroa para o Rei Carroça! - e
virou o caldeirão sobre a cabeça do homem que fora irmão da
khalees i
O som que Viserys Targaryen fez quando aquele hediondo
capacete de metal lhe cobriu a cabeça não se assemelhava a
nada de humano. Seus pés martelaram uma batida frenética
contra o chão de terra, abrandaram, pararam. Grossos
glóbulos de ouro fundido pingaram sobre seu peito, pondo a
seda escarlate em brasa... mas nenhuma gota de sangue foi
derramada.
Ele não era dragão nenhum, pensou Dany,
curiosamente calma. O fogo não pode matar um
dragão.

Eddard

Caminhava pelas criptas por baixo de Winterfell, como
caminhara mil vezes antes. Os Reis do Inverno olhavam-no
ao passar com olhos de gelo, e os lobos gigantes a seus pés
viravam as grandes cabeças de pedra e rosnavam. Por fim,
chegou à tumba onde o pai dormia, com Brandon e Lyanna a
seu lado. "Promete-me, Ned", sussurrou a estátua de
Lyanna. Trazia, uma grinalda de rosas azul-claras e seus
olhos choravam sangue.
Eddard Stark saltou na cama, com o coração acelerado, os
cobertores emaranhados à sua volta. O quarto estava negro
como breu, e alguém batia à porta com força.
- Lorde Eddard - chamou sonoramente uma voz.
- Um momento - sonolento e nu, atravessou aos tropeções o
quarto escurecido. Quando abriu a porta, deparou com
Tomard de punho erguido e com Cayn com uma grande vela
na mão. Entre os dois encontrava-se o intendente do rei.
O rosto do homem podia ter sido esculpido em pedra, de tão
pouco que mostrava.
- Senhor Mão - entoou. - Sua Graça, o Rei, exige a vossa
presença. De imediato. Então Robert tinha regressado da
caçada. Era mais que tempo.
- Necessitarei de um momento para me vestir - Ned deixou o
homem à espera lá fora. Cayn o ajudou com a roupa, uma
túnica de linho branco e uma capa cinza, calças cortadas na
perna envolvida em gesso, o distintivo de seu cargo e por fim
um cinto de pesados aros de prata. Embainhou o punhal
valiriano à cintura.
A Fortaleza Vermelha estava escura e quieta quando Cayn e
Tomard o escoltaram através da muralha interior. A lua
pendia baixa sobre as muralhas, quase cheia. Nos baluartes,
um guarda de manto dourado fazia a sua ronda.
Os aposentos reais ficavam na Fortaleza de Maegor, um
maciço e quadrado forte que se aninhava no coração da
Fortaleza Vermelha por trás de muralhas com três metros e
meio de espessura e um fosso seco coberto de espigões de
ferro, um castelo dentro do castelo. Sor Boros Blount
guardava a extremidade mais afastada da ponte, com a
armadura de aço branco que o fazia parecer um fantasma à
luz da lua. Lá dentro, Ned passou por dois outros cavaleiros
da Guarda Real: Sor Preston Greenfield estava ao fundo das
escadas, e Sor Barristan Selmy esperava à porta do quarto do
rei. Três homens de manto branco, pensou, recordando, e
sentiu-se atravessado por um estranho frio. O rosto de Sor
Barristan estava tão pálido como a sua armadura, Ned não
precisou mais do que olhá-lo para saber que alguma coisa
estava horrivelmente errada. O intendente real abriu a porta.
- Lorde Eddard Stark, a Mão do Rei - anunciou,
- Traga-o aqui - disse a voz de Robert, estranhamente pesada.
O fogo ardia nas lareiras gêmeas situadas nas duas pontas do
quarto, enchendo-o com um lúgubre clarão vermelho. O calor
que ali fazia era sufocante. Robert jazia na cama coberta.
Junto à cama pairava o Grande Meistre Pycelle, enquanto
Lorde Renly andava agitadamente em frente das janelas
fechadas. Criados iam de um lado para o outro, alimentando o
fogo de lenha e fervendo vinho. Cersei Lannister estava
sentada à beira da cama, ao lado do marido. Tinha os cabelos
em desordem, como se tivesse acabado de se levantar, mas
nada havia de sonolento nos olhos. Seguiram Ned quando
Tomard e Cayn o ajudaram a atravessar a sala. Parecia-lhe
que se movia muito lentamente, como se ainda estivesse
sonhando.
O rei ainda trazia as botas. Ned viu lama seca e folhas de
grama agarradas ao couro onde os pés de Robert se
projetavam da manta que o cobria. Um gibão verde jazia no
chão, rasgado e jogado fora, com o tecido coberto de manchas
vermelho-amarronzadas. O quarto cheirava a fumaça, a
sangue e a morte.
- Ned - sussurrou o rei quando o viu. O rosto estava pálido
como leite. - Vem... mais perto. Seus homens levaram-no para
mais perto. Ned equilibrou-se com a mão na coluna da cama.
Bastava olhar para Robert para perceber como estava mal.
- Quê?.,. - começou, com um nó na garganta.
- Um javali - Lorde Renly ainda trazia as roupas verdes de
caça, com o manto pintalgado de sangue.
- Um demônio - revelou o rei. - Culpa minha. Demasiado
vinho, maldito seja eu. Errei a estocada.
- E onde estava o resto de vocês? - Ned exigiu saber de Lorde
Renly. - Onde estava Sor Barristan e a Guarda Real?
A boca de Renly retorceu-se.
- Meu irmão ordenou que nos afastássemos e o deixássemos
abater o javali sozinho.
Eddard Stark er